
Revista
Happy Science
Ciência da Felicidade - Edição 173
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No número
anterior, eu disse que muita gente concebe o amor como algo que se recebe,
mas nós precisamos de gente que dê amor em vez de recebê-lo;
precisamos criar aqueles que dão. Eu tinha vinte e poucos anos
quando recebi a revelação Ame, nutra e perdoe
e, durante cinco ou seis anos, contemplei-a como uma questão
zen para meditação. Tentei levá-la à prática,
mas as pessoas com quem eu convivia não reconheciam facilmente
a minha verdadeira intenção.
Uma
vidente me mostrou por que
eu ainda não tinha me casado
Foi quando
eu tinha 28 ou 29 anos e morava em Nagoya, pouco antes de me demitir
da empresa em que trabalhava. Saí do metrô e estava passando
pela zona comercial próxima da estação quando
uma vidente me chamou.
Ora,
se essa vidente está me chamando, pensei, só
pode ser para me dizer coisas negativas, mas, como ela fez sinal
para que eu me aproximasse e me sentasse à sua frente, eu obedeci
tranquilamente. Então a mulher disse: Aposto que o senhor
ainda não se casou. Era verdade, mas, as videntes, quando
conversam com jovens, quase sempre falam em casamento.
Então
ela me disse, a mim, um mero transeunte que ia passando: Vou
contar por que o senhor continua solteiro até hoje. O que lhe
falta é vontade de ser casado. Por isso não
consegue casar. O senhor precisa mostrar que quer chegar lá.
As mulheres esperam, pensando: Eu desejo que ele me peça
em casamento, por
isso, se o senhor quiser casar, tem de dizer a ela que a quer e casar
de uma vez. O senhor não mostra vontade. Isso não
é bom. Precisa se esforçar para mostrar mais interesse
e pensar em conquistá-la, do contrário,
não vai casar nunca. Tal como uma mercadoria na prateleira
da loja, a mulher tem predisposição a esperar que alguém
a compre. O senhor precisa dizer que a quer. O senhor não tem
muita vontade de comprar, tem? Foi isso que ela me perguntou,
e eu respondi: Pois é, acho que não.
Por
conhecer a minha missão, eu não queria casar
A análise
da vidente estava certa, mas ela não sabia o motivo da minha
atitude. Eu alcancei a Grande Iluminação aos 24 anos
de idade e estava em contato com os espíritos do mundo superior,
os quais me atribuíram uma missão. Apesar disso, continuava
trabalhando numa empresa. Havia uma grande discrepância entre
a minha missão e a realidade da minha vida, eu sabia que em
breve teria de largar meu emprego e ser independente. Eu convivia
com muitas moças, algumas muito bonitas e algumas do meu tipo,
mas eu sabia que seria insincero se não contasse a verdade.
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Entretanto,
eu quero pedir a todos que concebam o amor como uma coisa concreta,
não como algo abstrato. Quero que vocês pensem
de maneira concreta:
O que eu posso fazer.
O que é possível para mim?
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Não
tinha confiança ou coragem para propor: Tudo bem se eu
largar a empresa e passar a ser um salvador? Você se casa comigo
mesmo assim? Eu também sabia que ninguém aceitaria
tal coisa. A vidente dissera que me faltava vontade. Sim,
pode-se dizer que eu me achava num estado de ausência
de ego ou ausência do eu, no sentido budista
da expressão. Por isso a vidente me disse: O senhor não
tem eu, não tem ego. Precisa ser mais assertivo.
Mas, quando eu lhe disse: Não consigo me sentir assim,
ela desistiu:
Acho
que, no seu caso, a mulher é que vai decidir pelo senhor.
Eu me casei alguns anos depois e acho que posso dizer que foi exatamente
isso que acabou acontecendo.
Mas, naquele
tempo, eu não me achava confiável para o casamento.
A imagem que tinha de um salvador era viver miseravelmente numa época
miserável e ter um fim trágico geralmente, essa
é a visão ortodoxa do estilo de pensamento ocidental.
Os ditos salvadores costumam aparecer em épocas extremamente
ruins, como o dia do aniquilamento, e tendem a ser gente
incapaz de ser feliz. Por isso, na época, as minhas ideias
sobre o futuro eram: Eu posso até ser crucificado.
Se iniciasse a minha missão aos trinta anos e, tal como Jesus,
fosse crucificado aos 33, seria uma irresponsabilidade me casar. Por
essa razão, não pensava em casamento naquele tempo.
Pense
no que fazer para praticar o amor em casa
Eu falei
na minha experiência aos vinte e poucos anos que vivia
pensando na frase Ame, nutra e perdoe as pessoas e tentava
transformá-la em ação. Entretanto, quero pedir
a todos que concebam o amor como uma coisa concreta, não como
algo abstrato. Quero que vocês pensem de maneira concreta: O
que eu posso fazer. O que é possível para mim?
O alvo
do amor mais fácil de atingir reside no lar de cada um.
O amor da esposa pelo marido, o do marido pela esposa, o amor dos
pais pelo filho, o do filho pelos pais. O alvo mais próximo,
mais ao alcance da mão, está no interior da família.
O próximo passo consiste em olhar para fora, mas antes pense:
O que eu posso fazer, de fato, para praticá-lo dentro
de casa?
Por acaso
você não está se descuidando de alguma coisa,
embora se trate de algo que você devia fazer ou devia ser capaz
de fazer? Será que isso se deve à sua atitude mental?
Por exemplo, pergunte-se se você não reclama ou não
se zanga por causa de coisas que não valem a pena? Se você
for mãe, mesmo quando o seu filho estuda muito, será
que não usa uma linguagem e um comportamento que o diminuem
como: A minha expectativa é superior, você ainda
não é bom o suficiente. Você é uma
esposa que age assim com o marido? É difícil para os
filhos retribuir aos pais, aliás, os filhos não fazem
senão receber, mas, quando crescem, acabam compreendendo que
o amor parental é preciosíssimo. O amor que os pais
dão aos filhos pode não ser retribuído, mas esse
amor certamente se transforma em bondade ou dedicação
aos outros quando os filhos crescem e passam a viver num mundo maior.
Portanto, o amor que os pais dão aos filhos não morre
nunca. O sentimento de ser amado pelos pais certamente perdura. Nós
não sabemos se podemos retribuir esse sentimento
diretamente
aos nossos pais. Na realidade, a maioria das pessoas provavelmente
não pode. Na época em que elas se dispõem a retribuir
esse amor, os pais talvez já estejam com problemas de memória
ou, devido a outra doença qualquer, talvez tenham deixado de
ser quem eram e já não entendam que aquele é
o seu amor que está sendo retribuído. É possível
que os pais já tenham morrido. No entanto, mais tarde, seu
amor pelos filhos se transforma numa força enorme por trás
da vontade dos filhos de dar amor aos demais; eis uma coisa que todos
devemos reconhecer.
O amor
dado pelos pais não se esquece, ainda que transcorram décadas
Eu fundei
a Happy Science aos trinta anos. Devido à minha idade, não
me sentia muito seguro, por isso comecei a trabalhar com meu pai,
Saburo Yoshikawa.
No entanto,
passado um ano ou dois, os espíritos superiores que protegiam
o nosso grupo passaram a me dizer reiteradamente: Você
deve fazer isso sozinho. Precisa avançar com a determinação
de ficar sozinho. Mesmo assim, eu passei mais uns três
anos trabalhando com ele, mas ficou evidente a diferença entre
mim que recebia mensagens espirituais diretamente da Oitava
Dimensão-Mundo dos Nyorais e do Mundo Cósmico da Nona
Dimensão e meu pai, que não chegara a esse nível.
Por outro
lado, quando me dei conta disso, eu tinha atingido um estágio
onde estava mais capacitado do que ele, no mundo terreno. O meu pai
era muito cuidadoso e dedicado. Tinha verdadeira adoração
por mim, e eu lutava com sentimentos conflitantes, como se não
o quisesse trair. De modo que passei dez anos vivendo emoções
dificílimas, desde que completei 35 anos até a morte
dele. Eu me sentia excessivamente obrigado e não tinha coragem
de lhe dizer: Daqui por diante, quero trabalhar sozinho, portanto,
faça o favor de se aposentar. Meu pai tinha condições
físicas de continuar trabalhando mais dez anos, mas havia uma
diferença entre o conteúdo do nosso discurso e filosofia,
ele não conseguia atuar como eu.
A religião
não pode ter mais do que um fundador. Havendo dois fundadores,
ela não se sustenta, dissolve-se inevitavelmente. Só
pode haver um indivíduo à frente. O fundador precisa
ser independente.
A consequência
dessa tomada de decisão foi eu separar do meu pai. Cuidei para
que ele ficasse financeiramente bem, mas, quando ele me dizia Eu
quero dar palestras, Quero escrever muitos livros,
Quero me encarregar da parte administrativa, era dificílimo
impedi-lo, pois eu sabia o quanto ele gostava de mim e era carinhoso.
Entretanto, para o bem de todo o grupo e da percepção
pública, eu sentia que tinha a responsabilidade de líder
e de filho de fazer com que ele se afastasse, e pensava: Eu
preciso ser independente.
Às
vezes tinha o impulso de repreender o meu pai ou criticálo,
mas eu me controlava; passei dez anos calado, sem dizer uma palavra;
isso porque a lembrança concreta do seu amor continuava muito
viva no meu coração. Por exemplo, quando eu estava na
quarta ou na quinta série peço desculpas por
mencionar uma coisa indelicada , tive uma infecção
nos glúteos e, como a ferida ficava numa região que
eu não enxergava, meu pai fazia o curativo toda noite. Quando
lembranças como essa lampejavam em minha mente, eu achava difícil
dizer-lhe coisas ríspidas e passei por muitos momentos desagradáveis
durante dez anos.
Os atos
concretos de amor dos pais quando a gente fica doente ou em dificuldade
são coisas que ninguém esquece, ainda que transcorram
décadas. Geralmente é difícil retribuir diretamente
esse amor parental, mas, se você tem o desejo de retribuir o
amor dos seus pais, pode fazê-lo, ocasionalmente, na forma de
bondade para com os outros.
Não
devemos esquecer a afeição humana
Quando
penso em alguns amigos que se formaram comigo e agora trabalham, como
é de se esperar de gente que saiu vitorioso da feroz disputa
do exame de admissão, vejo que eles tiraram ótimas notas
e são inteligentíssimos, mas tendem a ser meio duros
de coração. Tornam-se racionalistas e, como seres humanos,
extremamente frios.
Eu também
me inclinava para o racionalismo, no entanto, continuei mantendo o
sentimento de que nós precisamos de calor, precisamos
de afeição humana. Os seres humanos não podem
viver isso. Sob o jugo do sistema de valores mundanos, muita
gente aspira a ser elite, mas essa elite não
é necessariamente gente que merece louvor. Algumas elites existem
para tirar dos outros. Elas precisam de algum tipo de afeição
humana, como a bondade.
Eu abordei
vários tópicos referentes ao tema Viver para amar.
Citando
episódios da minha experiência pessoal, expliquei: No
mundo invisível, há anjos, bosatsus e nyorais que olham
pelos seres humanos na terra. Afirmei que Queria conceber
o amor num sentido concreto, não como algo abstrato, e pensar
no que você pode fazer de fato. Por fim, falei
no amor dos pais transformado numa força para que, um
dia, os filhos deem amor aos demais. Espero que vocês
encontrem algo informativo em tudo que discuti acima.
Este
texto conclui a palestra de duas partes.